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Porto Santo: o que visitar na ilha dourada

O que fazer no Porto Santo

Porto Santo: o que visitar na ilha dourada

Atualizada: 11/06/2026

Texto: Catarina Moura

Fotografia: Tiago Pais

Uma pequena ilha, uma grande viagem. Se está de visita ao Porto Santo pela praia da areia dourada, faz muito bem, mas saiba que há mais para fazer e explorar.
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A vida são dois dias e o Porto Santo vê-se em pouco mais do que isso. Não é desmerecimento a esta bonita ilha (de gente ainda melhor). A realidade é que a ilha é pequena e tem boas estradas: tudo se faz perto.

Quer isto dizer que o tempo ideal para visitar o Porto Santo é um fim de semana. Nada mais errado: vá com tempo, até porque tudo lhe vai apetecer fazer com vagar — as caminhadas, as fotos nos miradouros, as estadias na praia, os almoços e lanchinhos. Marque para cima de uma semana e faça do Porto Santo a sua casa. Estas são sete sugestões para aproveitar a ilha dourada.

O Porto das Salemas é um dos sítios imperdíveis no Porto Santo
O Porto das Salemas é um dos sítios imperdíveis no Porto Santo

Subir ao Pico de Ana Ferreira

Se é uma pessoa viajada ou simplesmente bem vivida é natural que esteja habituado a dizer “já vi de tudo” e nós desafiamo-lo: de certeza que não viu uma destas. Há tanto tempo que não é possível contar (aproximadamente 12 milhões de anos), a exposição da lava do vulcão do Porto Santo ao ar (em condições muito particulares, certamente) formou uns prismas em movimento que ficaram fixados em pedra para sempre.

Os primas em pedra vulcânica denunciam o movimento da lava a tentar sair do antigo vulcão
Os primas em pedra vulcânica denunciam o movimento da lava a tentar sair do antigo vulcão

Com a erosão de parte desse vulcão, aqui estamos nós hoje para lhe olhar para dentro, e ver, para sempre fixado, o movimento da lava a tentar sair, no Pico de Ana Ferreira. São pequenas colunas pentagonais ou hexagulares, umas a seguir às outras, num efeito único e capaz de maravilhar mesmo os mais cheios de ver muita coisa única.

Se é dado às coisas místicas da natureza e da história, esta é igualmente uma paragem importante: Ana Ferreira foi a filha bastarda de S.João II exilada no Porto Santo e vista pela população com desconfiança — as lendas falam dos seus poderes ocultos que usava nas grutas, na outra vertente deste pico.

É possível ir até lá, com um guia local, bons ténis e força nas pernas. Se quiser maravilhar-se mais um bocadinho, vá mesmo antes do nascer do sol e aproveite para ver toda a costa de praia iluminada pelos primeiros raios da manhã.

O trilho que leva às grutas tem uma dificuldade moderada e é melhor fazê-lo com um guia local
O trilho que leva às grutas tem uma dificuldade moderada e é melhor fazê-lo com um guia local

Descer ao Porto das Salemas

É sempre preciso usar alguma fé para descer ao Porto das Salemas. Fé, desde logo, nos joelhos, porque a descida é íngreme e tem alguma pedra solta; fé que vai encontrar esta enseada paradisíaca de facto paradisíaca: com pouca ou nenhuma gente, pessoas pacatas e que estejam ali mais para aproveitar este pedaço de natureza do que uma música mexida qualquer.

O ponto é que de lá de cima, não nada lá para baixo — não se vêem as pequenas piscinas naturais, a praia em pedra rolada, a água transparente em maré baixa. Vale a pena, no entanto, tentar. Nas condições ideais (ou até mesmo perto das ideais), é um canto de total contato com a natureza e relaxamento — pelo menos até à hora de voltar a subir à estrada que percorre a costa Norte da ilha.

A descida impõe respeito, mas a recompensa de uma pequena praia com piscinas naturais vale o esforço
A descida impõe respeito, mas a recompensa de uma pequena praia com piscinas naturais vale o esforço

Ir à Fonte da Areia e das dunas do Porto Santo

No Norte, as enseadas são de pedra, mas no Sul há o extenso areal de areia que batizou a ilha como dourada. De onde veio toda aquela areia (inclusive com propriedades especiais) numa terra vulcânica? Para os estudiosos do tema, veio daqui, desde mini deserto na costa Norte, a Fonte da Areia.

O vento terá depositado aqui toda esta areia branca e continua, além disso, a erudir pedras, conchas e fósseis. O resultado, depois de passar a primeira duna e entrar no coração desta fonte, é um pequeno deserto onde até colocamos a hipótese de nos podermos perder. Há caminhos entre mais dunas e alguns anfiteatros. Passados uns minutos dentro desta fonte, achamos estar mais perto de Marte.

Caminhas pela Fonte da Areia é como andar num pequeno deserto
Caminhas pela Fonte da Areia é como andar num pequeno deserto

O que nos chama novamente à Terra é alguma maquinaria pesada perdida: daqui se extraía areia para as construções da ilha até há bem pouco tempo. Hoje o local é apenas para passeio — e é uma maravilha.

A qualidade pré-histórica destas areias (a erosão terá 35 mil anos) faz com que tenham características especiais: é carbonatada, tem magnésio, cálcio e estrôncio e a isto podem associar-se benefícios para a saúde, como capacidades anti-inflamatórias. Por isso, o Spa do Hotel Porto Santo faz tratamentos com areia: deite-se numa caixa de areia e deixe-se cobrir por mais areia. Vai criar-se uma espécie de forninho e quando começar a suar é bom sinal: os minerais começam a ser absorvidos pela pele, garante o spa.

Por serem areias pré-históricas, os locais argumentam que têm propriedades especiais para a saúde
Por serem areias pré-históricas, os locais argumentam que têm propriedades especiais para a saúde

Bem perto há o miradouro da Fonte da Areia, com vista para o oceano do lado norte e para o ilhéu com o mesmo nome.

Dar uma volta pela Vila Baleira

Pequenina e mimosa, assim é esta capital. Aqui não se vai perder, mesmo que queira. Não se deixe, no entanto, enganar pelo nome e tamanho: a Vila Baleira é, desde 2025, cidade. E o Porto Santo já merecia uma.

A povoação foi fundada no início do século XV e guarda ainda alguns edifícios da sua história antiga: toda a trama se organiza em torno do Largo do Pelourinho e dos Jardins do Infante. Aqui, entre palmeiras e plantas tropicais, há um dos fontanários de água calcárica plantados no século XIX (há mais espalhados pela ilha) e estátuas aos heróis do Porto Santo: os homens do mar, forçosamente — pescadores e homens que faziam o transporte de pessoas e mercadorias para a ilha da Madeira.

Outro dos heróis do Porto Santo é Cristóvão Colombo que, além de uma escultura do seu (imaginado) busto nos Jardins, tem aqui perto a sua Casa-Museu. Habitou o arquipélago no século XV, envolvido então no negócio do açúcar, e acabou mesmo por casar com Filipa de Moniz, a filha do fundador da Vila Baleira, Bartolomeu Perestrelo.

Cristóvão Colombo é um dos heróis da ilha e tem aqui a sua Casa-Museu
Cristóvão Colombo é um dos heróis da ilha e tem aqui a sua Casa-Museu

História e estórias a parte, a pacata Vila Baleira é um ótimo lugar onde abastecer-se — de souvenirs, claro, ou daquelas coisinhas secas e boas típicas do lugar. Em algumas das rulotes do largo vendem-se amendoins, bolos secos de melaço ou até bolo do caco que, dizem alguns especialistas, vem desta ilha e não da outra. A verdade é que nos restaurantes do Porto Santo comem-se alguns dos melhores.

Por falar em comer, um passeio pela Vila Baleira só acaba em beleza no Golfinho (Solete Guia Repsol). Escondido e virado para o mar, tem as melhores sandes de espada e de polvo da ilha e talvez do arquipélago.

O Golfinho é viradíssimo para o mar e, com a maré de feição, ainda pode dar um mergulho depois do lanche
O Golfinho é viradíssimo para o mar e, com a maré de feição, ainda pode dar um mergulho depois do lanche

Ver a vista dos moinhos de vento

No Campo de Cima estão monumentos da história popular do Porto Santo. E que bonitos exemplares. São os moinhos de vento tradicionais da ilha, datados do século XIX. Uma das engenhosas particularidades: têm rodas na base, que permitiam aos moleiros virá-los na direção do vento para os tornar mais eficazes.

Além de excelente cenário de fotos, são a prova de uma história que hoje pode parecer estranha: o Porto Santo já foi a região mais produtiva do arquipélago, rica em cana de açúcar, vinha (há projetos que estão a recuperar alguns dos seus vinhos a pouco e pouco) e cereais. A estimativa é que terão existido mais de cem destes moinhos e, nessa altura, a paisagem vista deste miradouro alto seria bem diferente: campos e campos verdes e cultivados. Hoje temos a bonita visão da floresta, do oceano e da Vila Baleira lá em baixo.

Os moinhos de vento do Porto Santo são um vestígio da forte produção agrícola da ilha
Os moinhos de vento do Porto Santo são um vestígio da forte produção agrícola da ilha

Além deste, há outros tantos miradouros na ilha que valem a visita: o Miradouro do Furado Norte, o das Flores, das Lombas ou do Pico do Castelo, são alguns deles.

Porque demoramos tanto a aqui chegar? Se é esta afinal a grande razão? Uma razão com nove quilómetros de extensão, areia fina e clara e mar calmo. A praia do Porto Santo, dita de areia dourada, é o grande chamariz da ilha. Aqui passam-se afinal umas férias descansadas: o clima começa a ficar bom para uns mergulhos logo com o início da primavera e dura até ao outono; a praia e o mar são planos, não oferecem grandes dúvidas; os hotéis estão todos instalados à borda da areia, para que ao pequeno-almoço possa surpreender toda a gente com “até já fui dar um mergulho”.

Os balneários, muito característicos desta praia, conservam as suas cores vivas
Os balneários, muito característicos desta praia, conservam as suas cores vivas

Ficar deitado a praticar aquela atividade que, apesar do nome, tem pouco de ação — “fazer praia” — é uma opção; fazer uma caminhada é outra; e se estiver cansado de ver tanta areia, há sempre a hipótese de ir ver areia de uma perspetiva diferente. Vá até à Ponta da Calheta, no extremo sudoeste da ilha. Aqui, além de areal, há umas pequenas piscinas naturais. Tem vista sobre o ilhéu da cal, de onde já se extraiu calcário, e um excelente pôr-do-sol.

Fazer uma promessa: comer sempre bem

Aliás fazer duas: comer sempre bem e esquecer a história das lambecas. Até porque uma implica a outra. As originais eram um soft ice cream que, mais do que terem qualidade intrínseca, transportavam qualquer um para a infância. No entanto, o seu fundador, o homem que deu início ao mito, José Reis, faleceu em 2024.

A praia do Porto Santo é provavelmente a grande razão para a viagem: mas não deve ser a única
A praia do Porto Santo é provavelmente a grande razão para a viagem: mas não deve ser a única

Não há razão para baixar os ombros: no Porto Santo come-se muito bem e, apesar de a oferta não ser tão vasta como na ilha vizinha, há muita qualidade. Vejam-se as espetadas do Teodorico, entre as melhores do arquipélago, quiça do país; os rissóis do Girassol ou as ponchas do Banheiro, feitas com frutas locais — um luxo. Siga este guia como Anexo I deste que acaba de ler e aproveite.