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Alegremo-nos — com ponto de exclamação e tudo! Estamos em plena época da cereja. O mundo é mais belo, a vida é mais colorida, os dias são mais doces, a fruta é mais sumarenta, as nódoas são mais dramáticas, mas tudo ficará bem. Só ficará levemente pior quando a época acabar.
Como tudo o que é maravilha que só acontece poucos dias por ano, a cereja tolda-nos os sentidos e manda nos nossos impulsos. É por isso que aqui estamos: porque nesta época também há eventos que não se repetem no resto dos 12 meses. Explicamos quais são, onde e o que têm de especial (além de restaurantes a visitar na zona), mas antes avançamos com um pouco de contexto.
Há duas formas de responder a esta questão. A mais completa é real e não apresenta exagero algum: porque representam a perfeição da natureza.
A forma da cereja diz que é sumarenta sem que tenhamos de a provar, está garantido à partida. A cor explica que é doce, gulosa, açucarada na medida certa. No melhor dos momentos, na sua altura plena, a cereja brilha, indicando que vai ser rija por fora e polmosa por dentro. Quando colhida, traz o resto da árvore atrás, auto-explicativa na forma como deve ser saboreada por nós, comuns exemplos da banalidade. E o caroço lá está, para que as contemos, como se contam as saudades que vamos ter de tudo isto, nos longos meses que separam esta da próxima época do fruto.
A segunda resposta à pergunta é mais simples, mas consegue encapsular tudo o que o parágrafo acima diz numa só frase: porque há poucas coisas tão boas como cerejas na plenitude. E assim sendo, é natural que existam eventos denominados "festivais da cereja". Assinalamos aqui os mais relevantes.
É uma das principais zonas de produção desta preciosidade fruteira. Aliás, é a primeira região produtora a colocar cerejas no mercado — isto a nível europeu, que às gentes de Resende não lhes basta serem líderes de uma qualquer competição regional.
O Festival da Cereja de Resende acontece em dois fins de semana: 30 e 31 de maio e 6 e 7 de junho. É a fronteira entre os dois meses cerejeiros a unir esforços para serem uma data única, separada por uma semana que serve para descansar e esperar pela segunda parte. Espere muita cereja, mais iguarias e delícias da zona igualmente recomendáveis, bebidas a condizer e ruas com tanta alegria que mais parecem aquele pedaço de cereja que vai da casca (qual casca?) ao caroço. É tudo sumo de vida.
Se vai para o Festival de qualquer sítio que não Resende, a Câmara Municipal assegura o transporte a partir da estação de comboio. Para mais informações, visite o site oficial da Câmara Municipal de Resende.
De acordo com a informação fornecida pelo Google Maps, de Resende até Alfândega da Fé vão cerca de duas horas de distância, partindo do princípio que a viagem é feita de carro a uma velocidade que respeita os limites impostos por lei. E porquê esta informação? Porque a Festa da Cereja daquela localidade transmontana acontece entre 5 e 7 de junho, que é como quem diz "os mesmos dias que a segunda parte do Festival da Cereja de Resende".
São dados que interessam, claro a quem pondera marcar presença nos dois eventos — ou seja, o verdadeiro apaixonado por cereja. Para todos os outros, talvez interesse mais saber que o evento acontece no Parque Municipal de Exposições, que junta produtores e vendedores, de cereja e de outros produtos da região — isto além de outras atividades, como música (Carolina Deslandes e Ivandro estão no cartaz), artesanato e até uma corrida. Mais uma vez, a organização é da Câmara Municipal.
Avançamos uma semana para a frente e eis que estamos na Alcongosta. Quem conhece o local, certamente não precisa de mais explicações. Para todos os outros, esclareçamos que se trata de uma aldeia bem no coração da serra da Gardunha e que também é conhecida como a "capital da cereja", ainda que os naturais, vizinhos, familiares e visitantes habituais se escusem a colocar aspas na expressão.
É a Festa da Cereja do Fundão e tem tudo o que as outras têm. Mas à moda do Fundão, com os comes e bebes da zona, incluindo um orgulhoso separador no programa de atividades com uma palavra que costuma ter resultados mágicos: tasquinhas. Entre 12 e 14 de junho (recordando que dia 10 é feriado nacional, portanto tire as suas conclusões), o objetivo é andar de banca em banca, de mesa em mesa, de brinde em brinde. Não tem como se perder.
Ora essa, já podia ter dito, soluções não faltam. Se o tema é Resende, nada melhor do que seguir caminho por algumas das mais belas estradas deste país, ao longo do Douro. Até Armamar é coisa de uma hora, mas rapidamente vai desejar que a viagem fosse mais longa. O destino é o D.O.C., de Rui Paula (1 Sol no Guia Repsol). O chef transmontano pegou na tradição gastronómica e temperou-a com arrojo, criatividade e influências de outros temperos para assinar uma proposta obrigatória.
Para os lados de Alfândega da Fé, fique a saber que — e isto em bom português — um desvio até Torre de Moncorvo é coisa para demorar meia horinha. Distância mais do que aceitável, sobretudo quando o objetivo é chegar à Taberna do Carró (Solete no Guia Repsol), onde a carne mirandesa é rainha e senhora e todos os outros títulos que possa imaginar (mas onde o bacalhau com migas também merece respeito e admiração, fica a dica).
Se, por outro lado, está mais focado no Fundão, porque não seguir até à Covilhã? Mesmo no centro da cidade vai encontrar o Porta 32 (Solete no Guia Repsol), que pertence a uma das categorias mais apreciadas quando o objetivo é comer em viagem — trata-se de uma petisqueira. E o que é que se petisca aqui, acima de tudo? Leitão, no prato ou entre duas fatias de pão (e não só). Além disso, o queijo da serra é imperativo.
Confirma-se no caso de Resende. E aqui estamos, para garantir que as informações mais importantes chegam com eficácia. A CP tem um serviço especial nos dias 30 e 31 de maio a propósito da Festa da Cereja. O comboio sai da estação Porto-Campanhã às 07h30 e chega à estação de Ermida, já em Resende, poucos minutos depois das 09. O regresso faz o trajeto contrário, com partida às 19h02 e chegada às 20h29. Mais detalhes no site oficial da CP.
Se querem uma sugestão — e já se sabe que foi por isso que aqui vieram — dirijam-se ao Petisco Saloio (Restaurante Guia Repsol), tasca das boas, com uma bifana que abre o caminho para a dança e outras gulodices de prato, garfo e faca, colher e copo cheio.
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